segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Escolas de ensino especial: os avanços ainda não satisfazem as necessidades


DSC 1513"No decurso da IV sessão ordinária do Parlamento Infantil que este ano decorreu sob o lema “quero ser uma criança enquanto criança: o respeito dos meus direitos e o
cumprimento dos deveres tornará Moçambique melhor”, os pequenos deputados aproveitaram o momento de interação com o Governo para de entre varias questões, apelar para a necessidade da expansão das escolas especiais.
Para os petizes, a rede das escolas de ensino especial existente ainda não satisfaz as necessidades das crianças que precisam destes serviços como forma de aceder o direito a educação em todo o país.
Respondendo a preocupação dos deputados de palmo e meio, o Ministro da Educação, Augusto Jone, optou por apontar limitações de recursos humanos existentes e DSC01768enfatizar os avanços registados pelo sector na promoção desta modalidade de ensino contabilizando algumas escolas já existentes.
“Esta modalidade de ensino para pessoas com necessidades educativas especiais é nova em Moçambique, dai que a sua expansão também obedece aos recursos humanos existentes. Depois da independência o país tinha poucas escolas de educação especial”. Prosseguindo, Jone foi apontando cada uma das escolas existentes em Maputo, Gaza, Tete, Nampula, Beira e Quelimane, sendo que algumas atendem a pessoas com deficiência auditiva, outras visuais, mental e outras ainda que atendem a deficiências múltiplas.
Apesar destes avanços e fazendo jus as questões que tem sido apresentadas insistentemente pela Sociedade Civil, o investimento para as crianças com deficiência continua muito longe do desejável.
Em termos estatísticos, dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos (MICS) divulgados em 2008 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), indicam que cerca de 14% destas crianças com idades compreendidas entre dois e nove anos de idade tem algum tipo de deficiência e 50.8% das crianças com deficiência com idades compreendidas entre 15 e 19 anos são analfabetas. Existem no país cerca de 7 mil crianças com deficiência auditiva mas apenas existem 3 escolas públicas especializadas em língua de sinais abrangendo um pouco mais de 10% destas crianças.
Dados que requerem uma intervenção urgente acompanhada de acções politicas concretas e eficazes, que incluem questões arquitectónicas e urbanísticas, sociais e económicas que privam as crianças com deficiência do uso pleno dos seus direitos, tanto em termos de cuidados sanitários apropriados assim como de educação e convivência na sociedade. Estes dados requerem ainda a implementação de acções efectivas de tratamento, protecção e inclusão dos direitos das crianças com deficiência para que possamos ter uma sociedade onde todos os cidadãos têm o direito de participar na construção social, politica e económica do País.
Aliás, o Comité de Peritos da Nações Unidas para os Direitos da Criança, na apreciação que fez ao Relatório do Governo sobre a implementação da Convenção dos Direitos da Criança em Moçambique, recomendou ao Governo de Moçambique no sentido de implementar programas de consciencialização que sensibilizem o público quanto aos direitos e necessidades especiais das crianças com deficiência e a incentivar a inclusão destas na sociedade.
Por isso mesmo, fortes razões existem para que o Governo através dos seus sectores responsáveis, continue a direcionar recursos humanos, financeiros e materiais adequados para que os direitos da criança com deficiência saiam do sonho e se tornem uma realidade para todas estas crianças."

TV para Surdos



"A deficiência auditiva não é afinal uma barreira para limitar o direito de acesso a informação e de participação na vida do país e do gozo de outros direitos humanos fundamentais. Basta que haja vontade e compromisso de se fazer um pouco mais para que todos através de uma televisão possam entrar na pequena tela e ajudar o planeta terra a dar as voltas.

Na essência esta é a razão que levou a televisão sul africana SABC a abrir as suas antenas para um programa feito por Pessoas com Deficiência Auditiva (repórter, operador de câmara e produtor) para Pessoas com Deficiência Auditiva.

O programa denominado “Deaf TV” ou em português TV para Surdos que vai ao ar todas as segundas desde 1996 no canal SABC 3 e com repetição nos sábados tornou-se o pioneiro em programas de televisão para surdos, servindo como exemplo na Europa e Grã-Bretanha.

Uma experiencia que foi recentemente partilhada em Maputo onde as tentativas de inclusão de Pessoas com Deficiência Auditiva no acesso a informação ainda esta longe de alcançar sucessos.
A Associação Moçambicana para o Desenvolvimento da Família (AMODEFA), mentora da iniciativa já tem um memorando com a Televisão de Moçambique (TVM) no sentido de ampliar as oportunidades de acesso a informação as Pessoas com Deficiência Auditiva no sentido de alargar a janela de oportunidades recreativas, de acesso a saúde, educação e trabalho para esta comunidade.

Enquanto em Moçambique a iniciativa vai ganhando formas, fica a demonstração de que afinal a deficiência não é e nunca foi o fim para que crianças, jovens e velhos ficassem excluídos no acesso a informação pois a iniciativa e o gesto dos sul africanos mostra que basta a vontade de fazer para que o mundo seja cada vez melhor e mais acessível para todos."

a 9/9/13

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Plano Nacional de Acção para a Criança (PNAC II)




                                 



O Plano Nacional de Acção para a Criança (PNAC) foi lançado oficialmente ontem, dia 29 de Maio de 2013, pelo Ministério da Mulher e Acção Social. 
Aprovado pelo Conselho de Ministros em Dezembro de 2012, o PNACII baseia-se no princípio fundamental de “A Criança em Primeiro Lugar” e está centrado em quatro áreas prioritárias de atenção à criança, nomeadamente a Sobrevivência; o Desenvolvimento, a Protecção; e a Participação da Criança.
Este é um plano de referência que coloca as crianças diretamente no centro de todo o desenvolvimento, com foco na sobrevivência e desenvolvimento infantil, proteção e participação da criança.
Incluí 13 compromissos, como o aumento do registro de nascimento para 60% até 2015, redução da mortalidade infantil para 50 por mil nados vivos em 2020, e muitos mais, que, se implementado significa uma melhoria real nas vidas de crianças em Moçambique. 

Texto: Carla Ladeira

segunda-feira, 20 de maio de 2013

LANÇAMENTO DA SEMANA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO CREI

Decorreu hoje o lançamento oficial da Semana da Educação Inclusiva em Moçambique, neste ano que comemora o 15 Aniversário da Educação Inclusiva em Moçambique.

Foi com muita emoção e satisfação que assumimos (DSF/CREI/JUJU) esta missão em parceria com o Departamento de Educação Especial do MINED.
Mais de mil crianças assistiram à apresentação do Conto “A formiga Juju e o Sapo Karibu”, pela autora do conto, Cristiana Pereira e pelo ilustrador, Valter Zand.
Este conto inspirou-se nas crianças do CREI quando, há precisamente 1 ano, decorreu o primeiro encontro do CREI com a Juju e a sua equipa criativa.
Quem diria que seria o primeiro de muitos sorrisos partilhados e pelo caminho a magia acontece!!! Plantamos uma Pupa (papaeira) e nasceu uma criança, baptizada de Pupa!!!
Não há palavras que descrevam o alcance destas emoções e o quanto estes momentos dão sentido ao nosso trabalho, mas
Porque, no fundo,  é de afecto que falamos!!!

Cristiana Pereira apresentando o Karibu em Língua de Sinais

Apresentação do conto para uma atenta plateia.

Cristiana conhece a bebé Pupa. É com grande emoção que oferece o Livro da Juju e Karibu à Pupa!


A papaeira Pupa, plantada no ano passado!

Cristiana Pereira e Valter Zand com algumas das fantásticas crianças do CREI.



A cerimónia de lançamento da Semana da Educação Inclusiva em Moçambique contou com a presença de digníssimos convidados, como a Exma. Sra. Directora Provincial Adjunta da Educação e Cultura de Gaza, a Exma. Sra. Administradora do Distrito do Bilene e sua Excia. o Vice Ministro da Educação de Moçambique.

Excia. Vice Ministro da Educação

O trabalho com o CREI tem proporcionado aprendizagens enriquecedoras, ao nível profissional e pessoal.
Pessoas fantásticas que se superam todos os dias!
É o exemplo do Professor Nehemias que fez a tradução do Conto Infantil "A formiga Juju e o sapo Karibu"para Língua de Sinais e do Professor Anacligêncio que acompanha e ensaiou o Grupo Cultural Inclusivo do CREI. É o caso dos Psicólogos Alcido Dengo e António Manhiça e do Terapeuta Ocupacional Camilo, que têm desenvolvido um trabalho excelente, ainda que com parcos recursos!

Professor Nehemias cumprimenta os criadores da Juju e do Karibu


Professor Anacligêncio e o Grupo Cultural Inclusivo do CREI

Belmiro Sousa, oficial do Projecto de Educação Inclusiva aprende Língua de Sinais


E porque não conseguiríamos ser sem estar, também, no meio das crianças, aqui ficam alguns momentos de ternura e carinho:



                                 
Cristiana Pereira e o Gesto de "formiga"em Língua de Sinais



A encantadora Cristina!!!!



                                 

Cristiana e Cristina: as 2 "C's !!



                                       
Carla Ladeira e Cristina nas costas da Cristiana!!



Um abraço do tamanho do Mundo!!!




                     
Texto e Imagem de Carla Ladeira
                                 





quinta-feira, 16 de maio de 2013

CREI-SUL ABRE SEMANA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA



          




                           




COMUNICADO
O Centro de Recursos para a Educação Inclusiva (CREI) da Região Sul, localizado na Macia (província de Gaza), acolhe segunda-feira, dia 20 de Maio, o lançamento das celebrações oficiais da Semana da Educação Inclusiva, que comemora este ano o 15º aniversário da Educação Inclusiva em Moçambique, com o lema: Eliminar barreiras para criar uma sociedade inclusiva para todos.

No dia 20 de Maio, as actividades desenvolvem-se no âmbito do Projecto A Escola é um lugar Especial!, implementado pelo CREI e DSF-Douleurs Sans Frontiéres, com financiamento da Comissão Europeia, em parceria com o movimento cívico Formiga Juju, que irá apresentar o conto infantil “A Formiga Juju e o Sapo Karibu”, a sua mais recente produção.

Promovida pelo Ministério da Educação, juntamente com os parceiros de cooperação, a Semana de Educação Inclusiva visa sensibilizar todos os moçambicanos para que adoptem, reflictam e executem programas sustentáveis de desenvolvimento educacional que possam assegurar o acesso, a frequência e permanência, com sucesso escolar, de todas as crianças, jovens e adultos com Necessidades Educativas Especiais, sem nenhum tipo de discriminação, em todos os níveis de ensino, como recomendam os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
O programa conta ainda com uma actuação do Grupo Cultural Inclusivo do CREI e a participação de mais de 80 crianças.

Agradecemos a divulgação.
Contactos

CREI - 828877999
DSF – dsfmoz.aps@gmail.com T. 845435860