quinta-feira, 25 de abril de 2013

O que é a Dislexia?

O que é a Dislexia?
 A dislexia é uma desordem do foro neurológico, o que significa uma condição centrada no cérebro que, aparentemente, percorre várias gerações de uma família (fator de hereditariedade), parecendo, assim, ter uma base genética. A investigação diz-nos que cerca de 35 a 60% das crianças com dislexia têm ou tiveram um membro da família com a mesma condição.

Assim,a dislexia resulta da forma diferente como o “circuito” cerebral está estruturado no que respeita à linguagem em geral, particularmente à leitura, fazendo com que os indivíduos com dislexia possam estar a usar partes diferentes e menos eficientes dos seus cérebros quando leem.

A Dislexia caracteriza-se essencialmente por problemas na leitura. Quando a pessoa lê, ela pode não entender bem os códigos da escrita. A leitura pode ser lenta, silabada e a pessoa pode ter dificuldades em reconhecer até mesmo as palavras mais familiares.

A Dislexia é inesperada pois não tem uma causa evidente. A pessoa tem inteligência normal, não apresenta doenças neurológicas ou psiquiátricas e não tem alterações significativas auditivas e visuais.

É, portanto, uma situação diferente daquelas dificuldades de leitura decorrentes de outras causas, como por exemplo uma deficiência não neurológica ou uma fraca instrução académica.





A Associação Internacional de Dislexia americana propõe a seguinte definição:

"A dislexia é um dos vários tipos de dificuldades de aprendizagem. É uma desordem específica, centrada na linguagem, de origem orgânica, caracterizada por problemas na descodificação de palavras, refletindo, geralmente, capacidades reduzidas no processamento fonológico.
Estes problemas na descodificação da palavra são geralmente inesperados ao considerar-se a idade ou as aptidões cognitivas; eles não são o resultado de uma discapacidade desenvolvimental generalizada ou de uma perda sensorial.

A dislexia é manifestada por uma dificuldade variável nas diferentes formas da linguagem, incluindo, para além de um problema na leitura, um problema manifesto na aquisição de proficiência na escrita e na soletração."

 
 Possíveis sinais de alerta:

"Se a criança tem problemas na soletração de palavras, tem dificuldade em verbalizar palavras desconhecidas, tem dificuldade em expressar as ideias corretamente, tem dificuldade em expressar-se por escrito e ainda exibir alguns (três ou mais) dos fatores de risco apresentados a seguir, então é possível que ela possa ter dislexia.
Se este for o caso, aconselha-se que ela seja vista por um especialista e/ou especialistas competentes. Alguns fatores de risco a ter em conta:
  • Otites frequentes
  • Atraso na fala
  • Problemas na compreensão da linguagem oral
  • Vocabulário fraco
  • Dificuldade em aprender a correspondência entre sons e letras
  • Problemas na compreensão de que as palavras são constituídas por sons
  • Dificuldade em identificar os sons iniciais e finais da palavra falada
  • Dificuldade em reconhecer, juntar ou separar os sons individuais de palavras
  • Problemas na compreensão de instruções e/ou direções
  • Problemas em rechamar palavras da memória
  • Dificuldade em copiar do quadro ou do livro
  • Dificuldade no reconhecimento de diferenças em letras, palavras ou números semelhantes
  • Dificuldade em descodificar palavras
  • Dificuldade em diferenciar entre letras ou palavras semelhantes (b e d, bota e brota)
  • Dificuldade com a fluência na leitura (ler com facilidade, rapidez e expressão)
  • Dificuldade na compreensão de textos
  • Dificuldade em desenhar e/ou colorir dentro das linhas
  • Dificuldade em segurar um lápis
  • Problemas de direccionalidade (direita/esquerda; em cima/em baixo)
  • Dificuldade na organização de ideias para escrever uma composição
  • Dificuldade em escrever legivelmente tendo em conta os espaços entre as palavras
  • Dificuldade em manter-se nas linhas e em não ultrapassar as margens do papel
  • Outros membros da família tiveram ou têm dislexia"


TIPOS DE DISLEXIA

 Há três grandes tipos de dislexia, referidas por vários autores:
 a dislexia visual (ortográfica ou diseitética), 
a dislexia auditiva (fonológica ou disfonética) e 
a dislexia mista, que é uma combinação das duas anteriores.
 


"Dislexia visual (Ortográfica ou Diseitética)

A dislexia visual caracteriza-se por um conjunto de problemas relacionados com a sequência, ou seja, com a incapacidade de sequenciar eventos ou coisas. Por exemplo, a criança com dislexia visual tem dificuldade em sequenciar as letras do alfabeto e as letras nas palavras, os dias da semana e os meses do ano, os eventos de uma história por uma ordem definida ou, até, em seguir instruções relativamente simples quer elas sejam verbais quer sejam dadas por escrito. 
Apresenta ainda problemas de discriminação visual, confundindo letras e palavras parecidas, revertendo-as por vezes. São de isso exemplo as trocas de bês por dês ou ato por ota.
A escrita da criança com dislexia visual tende a ser inconstante, apresentando letras de tamanhos diferentes, omissões, rotações, reversões, emendas e rasuras frequentes. 
Também os desenhos que ela faz aparentam muitas vezes imaturidade, faltando-lhe pormenores essenciais.

Dislexia auditiva (Fonológica ou Disfonética)

A criança com dislexia auditiva tem problemas com certas funções auditivas intra-sensoriais, tendo dificuldade, por exemplo, em distinguir as unidades de som da linguagem, sendo-lhe difícil, portanto, transformá-las em palavras ou, vice-versa, pode não conseguir dividir uma palavra nas suas partes mais simples (sílabas). Tem ainda problemas em relacionar os sons da palavra com a palavra escrita, ou seja, relacionar o fonema com o grafema. Soletrar é também uma tarefa difícil para uma criança com dislexia auditiva.
A criança com dislexia auditiva apresenta problemas na discriminação auditiva, tendo dificuldade em diferenciar letras e palavras cujo som é parecido. Por exemplo, pode confundir o som do m com o do n, as letras b, d, t, p e g, não perceber que os sons iniciais e finais de palavras são iguais (berço e barco, casa e brasa), trocar a ordem das consoantes (calmo, clamo), confundir os dígrafos (telha, tenha), não perceber as rimas (quando lhe é pedido para dizer palavras que rimem com gato, poderá responder, goto ou sapo, ou mesmo inventar palavras sem significado, zato ou sato).A criança com dislexia auditiva pode ainda apresentar problemas na memória auditiva. Finalmente, no que diz respeito à escrita, a criança com dislexia auditiva tende a escrever muito devagar, rasurando muito o texto, devido à sua insegurança em soletrar as palavras.

Dislexia mista

A criança com dislexia mista tende a apresentar comportamentos associados a ambas as áreas, visual e auditiva, ou seja, alguns problemas são de ordem auditiva ao passo que outros são de ordem visual.
Com que idade pode ser feito um diagnóstico de dislexia? Quais os profissionais que fazem esse diagnóstico?
Podemos suspeitar a presença da dislexia desde cedo, principalmente na época da alfabetização, quando a leitura e escrita são formalmente apresentadas à criança. 

Para um diagnóstico mais preciso sugere-se que seja feito a partir do 3º ano, após três anos de aprendizagem da leitura. Mas havendo sinais de dificuldades nas áreas de linguagem, um atendimento adequado deve ser iniciado antes mesmo da alfabetização.

Os profissionais que podem realizar este diagnóstico são os Terapeutas da Fala trabalhando conjuntamente com os psicólogos especializados no assunto. Quando necessário, podem ser solicitados exames complementares (neurológico, neuropsicológico, processamento auditivo central, neuroftalmológico)."



CONSELHOS:
 
"No que respeita aos professores, é bom que se compreenda que “não há nenhuma criança que não deseje aprender” e, por conseguinte, os problemas que uma criança possa apresentar nas áreas da leitura, escrita e soletração, para além de outros problemas inerentes às características da dislexia, não devem ser penalizados mas compreendidos. 
Assim, a escolha de estratégias e atividades consonantes com os objetivos das intervenções, efetuadas individualmente ou em pequenos grupos, pode ser essencial para o sucesso da criança. 
Também, pôr a ênfase nas capacidades, sem, com certeza, descurar as necessidades é um caminho a ter em conta. Uma forma de o fazer é considerar uma lista de capacidades e interesses com base na avaliação e, a partir deles, elaborar um programa de apoio sólido tendo em conta essas áreas de interesses e de aptitude.
No que concerne aos pais, devem aceitar e tolerar o facto de o vosso filho ter dislexia e nunca criticá-lo, uma vez que ele não tem qualquer tipo de culpa quanto à sua situação. 
Os estádios de frustração e culpabilidade, tantas vezes característicos nestes casos, devem dar lugar à compreensão e apoio. É bom que estejam em consonância com a escola e, sempre que possível, apoiem o vosso filho (a) de acordo com as intervenções consideradas em que, com certeza, figuram diretrizes para os pais. Se verificarem que o vosso filho (a) não está a empenhar-se como devia, solicitem uma reunião na escola para, com os professores, poderem decidir qual o melhor caminho a seguir. 
Se o vosso filho tirar más notas, mas se verificarem que ele está a esforçar-se, não devem castigá-lo, seja de que forma for. Contudo, é importante que o vosso filho (a) não questione a vossa autoridade com base na sua situação. Como membro da família, ele deve saber respeitar as regras estabelecidas e comportar-se em conformidade. 
Finalmente, caso verifiquem que ele não está a ter sucesso académico e socioemocional, então devem considerar os serviços de especialistas competentes na área da dislexia."

Fonte:  http://www.ipodine.pt/dislexia.php

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Jogos de linguagem divertidos

As lengalengas são cantilenas onde se repetem várias palavras ou expressões. São desafiantes e divertidas. Ajudam a desenvolver a consciência sobre o uso da linguagem e ao mesmo tempo estimulam a coordenação dos movimentos associados à co articulação de fonemas em sílabas, palavras e frases.
A Lengalenga do corpo permite trabalhar o vocabulário do rosto/corpo e assim ter uma boa perceção do corpo. A Lengalenga do corpo é uma actividade de grupo para crianças na fase pré escolar e nas classes iniciais, promovendo o desenvolvimento da linguagem, ams também as noções de esquema corporal e desenvolvimento motor (planificação, coordenação e execuçãod e movimento).

Lengalenga do corpo

Salto, salto com os pés
Mexo, mexo com as mãos
Volto,volto a cabeça
Tapo, tapo os meus olhos
Puxo, puxo pelas orelhas
Toco, toco o nariz
Façam todos como eu fiz!

 A Lengalenga do I, O, U


A lengalenga do I, O, U permite trabalhar a aprendizagem destas três vogais de forma divertida.
Podem inventar gestos para asssociar às palavras ou ainda acrescentar uma melodia conhecida.

Ai o i, Ai o o Ai o u
Ai o i tão interessante,
com um chapéu todo galante.
iiiiii

Ai o o com a barriga cheia,
comeu o mel da minha colmeia.
oooooo

Ai o u com duas pernas,
e duas antenas que parecem lanternas.
u u u u u u

Lengalenga das Vogais

  Lengalenga das vogais é uma excelente para treinar o nome e som das vogais.

Vem lá o A
Menina gordinha
Redondinha

Ao pé
Que vem o E
Que vivo que é!

Depois o I
E ri
Com o seu chapelinho

No caminho
De pópó, vem o O
E gira na mó

Por fim vem o U
No seu comboio
A fazer u-u-u-u


Lengalenga para aprender a contar


A Lengalenga para aprender a contar permite treinar a a aprendizagem dos números de um a dez. A criança aprende melhor quando está motivada e quando coloca em uso várias órgãos sensoriais.
Assim, quando está a cantar, está a falar, a escutar o que disse, movimentando o corpo ao ritmo da música e utilizando os gestos como forma de consolidação (um, dois, três… com os dedos).

Um peru
Dois bois
Três, de cada vez
Quatro, arroz no prato
Cinco, Maria do brinco
Seis, dia dos reis
Sete, toma o canivete
Oito, dá cá um biscoito
Nove, vai ver se chove


 Cada uma destas lengalengas pode ser adaptada, desde que seja divertida, de certeza que as crianças vão adorar!

Divirtam-se!!!!!

Carla Ladeira

domingo, 21 de abril de 2013

Reciclar em Família

O Tshova da Juju participou na iniciativa "Reciclar em Família", uma iniciativa da AMOR, Associação Moçambicana de Reciclagem, onde a Juju esteve como parceira e também a DSF, através do Tshova da Juju!!!
Vivam as formiguinhas ecológicas e trabalhadoras!!!!





Texto e imagem por Carla Ladeira

terça-feira, 16 de abril de 2013

3º MÓDULO DE CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES E DIRECTORES PEDAGÓGICOS EM EDUCAÇÃO INCLUSIVA

dias 17 e 18 de Abril, decorre, no CREI da Macia, o 3º Módulo de capacitação aos professores e directores pedagógicos das 26 escolas envolvidas no projecto, contando com a participação dos técnicos do CREI e do Terapeuta Ocupacional, recentemente chegado à nossa equipa e que nos deixou muito felizes!!!
Este módulo é essencialmente prático e compreende as seguintes actividades:

- aplicação do questionário intercalar aos professores;
- revisão da base de dados das turmas e alunos neste novo ano lectivo;
- análise e estudo dos casos práticos trazidos pelos professores;
- construção de planos educativos individualizados e planos de aula para as turmas inclusivas;
- construção de material pedagógico adaptado às necessidades dos alunos de cada turma;
- Introdução ao Sistema Makaton - potencializa o desenvolvimento da linguagem, comunicação e aprendizagem. SISTEMA MISTO que combina GESTOS + SÍMBOLOS DESENHADOS + PALAVRAS ESCRITAS;
- avaliação da formação, perspectivas e próximos passos.

e ainda....

entrega de uma maleta pedagógica a cada escola e ao CREI com:
- material pedagógico
- material de produção para a construção de materiais específicos

Em breve iremos colocar fotos.

Até já!!!

Por: Carla Ladeira

quarta-feira, 3 de abril de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

A Escola é um lugar especial!

O Projeto: A Escola é um lugar especial! conta assim com um Terapeuta Ocupacional na equipa multiprofissional que faz o acompanhamento das escolas inclusivas e apoio ao CREI, assim como um Terapeuta da Fala em apoio técnico ao projeto, parceiros, implementadores e beneficiários.

Nesta última área em específico, o Terapeuta da Fala pode contribuir quando, de modo geral, existe uma criança ou adulto que apresenta um ou mais do que um dos seguintes sinais de alerta:

CRIANÇAS:
> Tem dificuldade de compreensão?
> Não consegue dizer ou troca alguns sons?
> Grita muito e fica rouco frequentemente?
> Quando fala bloqueia ou repete os mesmos sons/palavras?
> Comete muitos erros quando lê ou escreve?
> A criança usa outras formas de comunicar que não a fala?
> A criança tem dificuldades de audição?
> A criança tem dificuldades de deglutição (engolir ou mastigar)?

ADULTOS:
> Não compreende pedidos?
> Não se consegue expressar?
> Fica rouco com frequência?
> Tem medo de falar porque gagueja?
> Tem dificuldade em dizer algum som enquanto fala?
> Tem dificuldade em mastigar e/ou engolir?


Terapeuta Ocupacional

PERFIL
O terapeuta ocupacional é um profissional da área da saúde cuja abordagem assenta no reconhecimento da
relação entre as actividades e ocupações que as pessoas fazem no dia a dia e a sua saúde e bem-estar.
O terapeuta ocupacional intervém por forma a habilitar as pessoas para participarem com sucesso nas
actividades do dia a dia, promovendo dessa forma a sua participação na sociedade. Este envolvimento
ocupacional satisfatório tem um impacto positivo na saúde e no bem-estar da pessoa e dá sentido à sua vida. No contexto actual, os terapeutas ocupacionais, para além de focarem a sua acção nos factores individuais de cada pessoa, estão cada vez mais envolvidos no estudo e na promoção dos factores sociais, políticos e ambientais que contribuam para a inclusão e participação ocupacional.
Para tal o terapeuta ocupacional deve ter conhecimento das políticas de saúde nacional e internacional e contar com ferramentas necessárias para organizar, administrar, planificar, programar, supervisar e controlar a gestão dos serviços de Terapia Ocupacional, actuando de acordo com os princípios éticos da profissão.

PERFIL PROFISSIONAL
O TERAPEUTA OCUPACIONAL DEVE SABER
a) A legislação em vigor em Moçambique no âmbito da prestação de cuidados de saúde, sociais e educacionais ;
b) Principais necessidades sociais, de saúde e educacionais da população moçambicana e o seu impacto no desempenho e envolvimento ocupacional;
c) O perfil ocupacional da população Moçambicana;
d) Reconhecer e explicar a relação entre ocupação, saúde e bem-estar

TERMOS DE REFERÊNCIA DO TERAPEUTA OCUPACIONAL

e) Estruturar uma avaliação da dimensão ocupacional da pessoa, por forma a reconhecer situações ou potenciais riscos de disfunção ocupacional, identificando assim os potenciais clientes para a terapia ocupacional
f) Desenvolver uma prática reflexiva baseada na evidência e suportada pelo raciocínio inerente aos modelos da prática da Terapia Ocupacional
g) Quais são os factores da pessoa, do ambiente e/ou da ocupação que podem estar na origem da disfunção ocupacional
h) Enquadrar e justificar metodologias de intervenção centradas na pessoa e na ocupação e suportadas pela evidência
i) Organizar, gerir, planificar e controlar a qualidade da prestação de serviços no âmbito da saúde, educação e apoio social;
j) Normas deontológicas e éticas que norteiam o exercício da profissão de saúde em geral e a abordagem do Terapeuta Ocupacional em particular;
k) Regras de civismo, cortesia e empatia no relacionamento com os clientes;

O TERAPEUTA OCUPACIONAL DEVE SABER FAZER
1. Em Geral
Estabelecer uma relação terapêutica com os clientes, assente nos princípios éticos e deontológicos
a) Elaborar o perfil ocupacional completo do cliente;
b) Fazer uma avaliação do cliente, utilizando métodos estruturados e não estruturados;
c) Registar e interpretar todos os dados da avaliação em todas as etapas do processo terapêutico;
d) Realizar um acompanhamento terapêutico dos casos em todo processo;
e) Usar adequadamente os materiais/instrumentos durante todo o processo de avaliação, intervenção e avaliação de resultados;
f) Delinear com o cliente/família os objectivos de intervenção, desenvolver um plano de intervenção dirigido para os mesmos, implementá-lo e observar os resultados a curto e a médio prazo;
g) Identificar clientes nos clientes que chegam à consulta de Terapia Ocupacional, a necessidade de outros cuidados de saúde e sinaliza-los para os demais serviços;
h) Criar espaços terapêuticos que vão de encontro às necessidades/interesses dos clientes;
i) Realizar estudos de caso em Terapia Ocupacional, recorrendo ao método científico de modo a melhorar o processo terapêutico;
j) Trabalhar em equipa multidisciplinar e intersectorial;
k) Produzir relatórios regulares das suas actividades e remeter ao responsável do serviço/instituição;
l) Realizar acções de sensibilização/formação sobre temas/abordagens especificas da Terapia Ocupacional;
m) Desenvolver investigação na área especifica da Terapia Ocupacional

2. Na Comunidade
a) Elaborar projectos sustentáveis com impacto no cliente e na comunidade;
b) Implementar acções e projectos de reabilitação baseada na comunidade (RBC), com vista à promoção da participação dos membros da comunidade, através do envolvimento em ocupações significativas, com impacto na sua saúde e bem-estar;
c) Promover o empoderamento das Comunidades através da participação comunitária;
d) Dinamizar palestras sobre o empoderamento, promoção de saúde, o equilíbrio ocupacional e a participação.

5. Todos os Terapeutas Ocupacionais Independentemente da sua Área de Interesse devem:
a) Ter a capacidade de partilhar os seus conhecimentos com os outros profissionais, criando uma equipa multidisciplinar, de forma a melhorar todo o sistema envolvente;
b) Ser um profissional que desenvolve relações recíprocas com os seus colegas de trabalho, baseadas no respeito pelo trabalho de cada um;
c) Ser um profissional que atende através da sua área de intervenção sob a aplicação dos seus conhecimentos científicos e respeitando os princípios deontológicos da sua profissão;
d) Um profissional que deve ter a preocupação pela auto-formação e pela formação contínua para uma melhoria das condições oferecidas pelo serviço;
e) Ir de encontro às necessidades ocupacionais e interesses do cliente em todo processo e abordagem.

Retirado de: TDR do Terapeuta Ocupacional. Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde de Moçambique

Terapia da Fala e Necessidades Educativas Especiais



O Terapeuta da Fala é um profissional de saúde responsável por pesquisa, prevenção, avaliação, intervenção, aconselhamento e estudo científico na área da comunicação humana e perturbações associadas, verbais e não verbais, voz, sistema nervoso e órgãos sensoriais, musculatura facial, articulação verbal, linguagem, leitura e escrita, gaguez e patologias diversas.
Neste momento vive-se em Moçambique um despertar da atenção para o atendimento à pessoa com deficiência, nas mais diversas esferas da sociedade. No caso em particular da educação o país está a empenhar esforços para melhorar a estratégia da educação inclusiva, para a qual necessita de contar com técnicos especializados que apoiem os professores no atendimento à criança com necessidades educativas especiais[1].
A Terapia da Fala, como meio de intervenção específico para a Comunicação, Linguagem, Fala e Deglutição, surgiu nos Estados Unidos da América (EUA), para reabilitação dos soldados de duas guerras dos EUA (II Guerra Mundial e Vietname). Era uma terapia virada para a recuperação de capacidades perdidas em utentes adultos e virada essencialmente para a recuperação da Fala.
Resultado da evolução das práticas e da investigação, passou a adoptar-se uma perspectiva holística e integrativa que aborda o indivíduo na dimensão da comunicação e não só na fala, que é apenas uma das vertentes da comunicação humana.
A Comunicação Humana existe desde sempre e os homens das cavernas, com seu cérebro rudimentar, comunicavam através de gestos, posturas, gritos e grunhidos, assim como os demais animais não dotados da capacidade de expressão mais refinada.
A evolução ditou que o homem aprendesse a relacionar objetos de uso diário e a criar utensílios para caça e proteção. Estes conhecimentos terão sido passados aos seus pares, através de gestos e repetições, criando assim, uma forma primitiva e simples de linguagem.
Com o tempo, essa comunicação foi adquirindo formas mais claras e evoluídas, facilitando a comunicação não só entre os povos de uma mesma tribo, como entre tribos diferentes. As primeiras comunicações escritas (desenhos) de que se têm notícias são das inscrições nas cavernas 8.000 anos a.C.
Assim o âmbito da intervenção do TF abarca todos os aspectos da comunicação humana, oral e escrita.
Em Moçambique e nas restantes ex-colónias Portuguesas a Terapia da Fala é uma área nova. Ao longo da História e após a libertação nacional, a tónica foi sempre dada às questões físicas, mais visíveis na avaliação das necessidades. Posteriormente foi necessário dar resposta a casos de traumatismos crânio encefálicos e outros com comprometimentos em funções comunicativas e deglutição, mas sem recursos humanos especializados. Os recursos sempre foram escassos e a reabilitação acontecia essencialmente com tónica na componente motora e em parte na componente social, essencialmente pela contribuição das organizações e congregações religiosas a operar no país.
Assim, o Terapeuta da Fala será o profissional adequado para:
 
  • Desenvolver competências para apoiar os indivíduos a desempenharem actividades funcionais, de comunicação, autonomia e participação social com qualidade de vida e dignidade;
  • Utilizar o processo de prevenção, avaliação, intervenção, orientação e encaminhamento, sempre que possível numa dinâmica de trabalho em equipa com outros profissionais e famílias;
  • Iniciar o processo de prestação de serviços de Terapia da Fala pela avaliação das necessidades, problemas e preocupações do paciente/cuidadores, aplicação de instrumentos de avaliação formal e informal, elaboração do plano de intervenção e orientações aos interlocutores privilegiados do paciente e/ou outros profissionais da Saúde, Educação e/ou Acção Social.
  • Utilizar técnicas de metodologias de intervenção fundamentadas e sistematizar toda a informação obtida ao longo do processo, mantendo um espírito de investigação sobre novas forma de avaliação e de intervenção;
  • Identificar e actuar sobre as necessidades de formação contínua como função de crescimento e manutenção de competências profissionais;
  • Elaborar um trabalho de pesquisa individual ou em grupo com vista a uma melhor compreensão dos problemas inerentes à área de Terapia da Fala;
  • Colaborar na administração e gestão do departamento onde está integrado;
  • Colaborar na formação de pessoal da saúde;
  • Desenvolver acções de sensibilização, de esclarecimento e de aconselhamento junto dos utentes e seus familiares, de outro pessoal da saúde e da comunidade em geral;
  • Planear e executar programas de intervenção utilizando, entre outros meios, técnicas específicas de desenvolvimento de competências comunicativas, de reeducação da musculatura oro facial, de processamento auditivo, de modificação comportamental, de reeducação pneumo fónica, de auxílio à deglutição atípica e outras.
  • Colaborar na identificação e resolução dos problemas da comunidade relativos à deficiência, à incapacidade e à inadaptação.
  • São profissionais que poderão exercer as suas actividades de Terapia da Fala em instituições Educativas, Serviços de Acção Social, Departamentos de Investigação e Ensino e Unidades Sanitárias de complexidade variada, desde o nível primário até ao quaternário, tais como: Hospitais Centrais e especializados; Hospitais Provinciais; Hospitais Gerais e Rurais; Centros de Saúde; Clínicas Privadas; Centros de Reabilitação especializados; Centros de Acolhimento de pessoas com deficiência; Escolas Inclusivas; Escolas de educação especial; Lares de terceira idade; Orfanatos; Creches ou Infantários; Ensino e investigação em instituições do ensino médio e superior; Instituições particulares de solidariedade social; Hospitais Militares; Cuidados Domiciliários e intervenção comunitário


[1] Perfil Profissional dos Terapeutas da Fala elaborado pelo C.P.L.O.L. (Comité Permanent de Liaison des Orthophonistes-Logopèdes de L’Union Européénne).